Mudança climática deve se estender até o mês de dezembro, segundo o Disme
Já está mais seco o clima no Pará, segundo levantamento divulgado
ontem pelo 2º Distrito de Meteorologia (Disme), e a umidade relativa do
ar já alcança níveis considerados perigosos, sobretudo no sul - onde já
chegou a 20% e resultou na temperatura máxima de 40,8°C, no município de
Conceição do Araguaia -, e no norte do Estado, onde existe a
possibilidade de registro de uma baixa histórica para 45%.
O meteorologista José Raimundo Abreu, chefe do Disme, ligado ao
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta que o Pará tem uma
fase mais seca, que no norte do Estado começa em agosto e vai até o
final de novembro ou início de dezembro. Nesse período, a temperatura
deve subir ainda mais. A situação mais preocupante, destaca, é de fato a
que ocorre na região sul, pois a umidade baixa chegou ao nível de
perigo estimado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 20%.
Nesse nível ou abaixo, há riscos de doenças respiratórias,
principalmente para organismos acostumados a uma umidade maior.
Foto: Fábio Costa/ O Liberal
Para a população - principalmente idosos, bebês, fumantes e quem
sofre de alguma doença respiratória -, o momento é de hidratação
constante e de muita atenção a sintomas de gripes ou resfriados durante
todo o período. Nas ruas, aumenta consideravelmente a venda de água e
outras bebidas e grande parte das pessoas adota o hábito de sair de casa
com sombrinhas que lhe permita aplacar a intensidade do sol. Além
disso, o agronegócio pode ser afetado pela escassez des chuvas, cuja
incidência está bem abaixo da média,
A baixa de umidade, mesmo que não chegue aos níveis considerados
alarmantes, pode causar problemas aos organismos que não estejam
habituados a ela. A pneumologista Lúcia Sales, do Hospital Universitário
João de Barros Barreto (HUJBB), ressalta que qualquer variação pode
causar desconforto. No mínimo, pode provocar respostas do organismo com o
objetvio de se adequar à mudança e compensar a falta de umidade. Por
conta disso, as pessoas podem apresentar secreção - o que pode levar a
congestão nasal - tosse ou espirros. Idosos, crianças, grávidas,
fumantes e pessoas com problemas respiratórios são as mais prejudicadas.
“É possível notar esses sintomas num período de três a cinco dias.
Então o organismo se adapta e os sintomas passam”, explica a médica.
Segundo ela, se a situação começar a se prolongar, pode ser necessário
procurar um médico, porque secreção acumulada é cultura de
micro-organismos, que se reproduzem e podem gerar outros mais
agressivos. “As doenças respiratórias podem ser agravadas, como asma e
rinite e os fumantes podem desenvolver bronquites”, alertou Lúcia.
Para amenizar os efeitos da baixa umidade, José Raimundo e Lúcia
recomendam umidificar o ambiente, principalmente na hora de dormir, com
baldes ou bacias com água. Ventiladores não devem ser apontados
diretamente para as pessoas, mas devem ser dispostos de modo a fazer
circular o ar e ventilar todo o ambiente ou ligados no modo de exaustão.
Os aparelhos de ar condicionado devem estar muito limpos e, se o clima
estiver seco demais, não devem ser usados sem um recipiente com água no
local. Ingerir líquidos também é fundamental para evitar doenças na
garganta. Se as vias respiratórias estiverem secas demais, o uso de soro
fisiológico em spray nasal também é recomendado pela médica.
Natalina dos Santos, de 70 anos, diz que sua respiração está pesada
com o clima seco. “Dá um desespero. Ficamos procurando frescura, sempre
que dá, tomando banhos, bebendo líquidos. Sair, só com sombrinha. Está
muito quente mesmo”, atestou.
“Está horrível. Para quem tem criança pequena, principalmente. Elas
ficam cheias de alergias. Ele está com várias”, comenta Daniela Dias,
referindo-se e mostrando o filho de dez meses. “Ele chora muito na hora
do calor. Já eu, preciso beber bastante água e comer frutas. O mesmo
para ele”, acrescentou.
“Conheço gente que está com problemas e reclamando do clima, até na
minha família, apresentando tosse e outros sintomas. Está quente demais e
isso prejudica”, relatou Rosilene Raiol.
Fonte: Portal ORMNews